NOTAS PARA UM
DIÁRIO - 73
30/07/2011. Adeus às almas. Extremamente
frustrante, para quem teve uma “experiência de quase morte”, ter de voltar ao
corpo humano e ao mundinho da matéria, depois de alguns minutos provando o
filé-mignon da eternidade.
29/07/2011. A vida não é tão má como dizem os pessimistas. E há
coisa melhor à nossa espera, garantem os otimistas. Já apostei muitas fichas
nos primeiros; mas que vantagem existe em torcer para a
própria derrota? Cansei de esperar fervorosamente pelo Nada.
Até o dia da minha morte, só vou apostar no otimismo
espiritualista, o que me parece bem mais razoável. Apesar da minha
limitadíssima inteligência, tenho discernimento suficiente para distinguir o
desejável do indesejável. Eu quero vida eterna, e quero uma configuração
diferente da atual, exageradamente corpórea. Este espírito mal acomodado dentro
de mim merece algo melhor, pois sinto que ele é muito superior ao dono do meu
RG e do meu CPF. Na bela imagem da Dra. Elisabeth Kubler-Ross,
é a borboleta que um dia vai libertar-se da larva, essa larva que, na melhor
das hipóteses, desnuda outras larvas na cama, come
churrasco de picanha até enfastiar-se e assiste com prazer entediantes corridas
de Fórmula Um; isso quando não sofre de remorsos ou inveja, geme de dor de
dente ou diarreia, e passa horas e horas trabalhando para alguém que nem
conhece.
Não. O espírito nasceu para ir dessa para melhor, como
a borboleta. A alma do tio Zezinho, hoje de manhã, foi a
borboleta que deixou o casulo. Abandonou-nos no vale das lágrimas e das
gargalhadas boçais.
25/07/2011. Manuel Bandeira acreditava ou não na vida eterna? Há
momentos em que o poeta parece acreditar e outros que não. É o que também pensa
o pernambucano Edson Nery da Fonseca, que conheceu o poeta e disse
recentemente, num programa de televisão, que foi o autor dos dois versos mais
heréticos da nossa literatura, aqueles que fecham o “Momento num café”, em que
alguém tira o chapéu na passagem de um enterro: “E saudava a matéria que
passava, liberta para sempre da alma extinta”.
Mas mesmo quando parecia profundamente descrente na
vida sobrenatural, sabia conservar um grande carinho e respeito por aqueles
personagens católicos que haviam povoado sua infância de moleque provinciano:
Menino Jesus, Nossa Senhora, Santa Terezinha, São Francisco de Assis, de quem
traduziu a famosa “Oração”.
Eu não tenho dúvida que esse santo milagreiro da
poesia lá se encontra, no céu cristão, longe desta “outra vida de
aquém-túmulo”, ao lado de Mozart em seu cavalo branco, ao lado de Irene preta e
boa, ao lado das prostitutas a quem amou na Terra. Ouvindo de preferência os
clássicos, mas sem desprezar o frevo pernambucano ou o tango argentino,
passeando com Menino Jesus ao colo, conversando com São Francisco sobre
córregos, andorinhas ou outras coisas dessa magnitude. Tudo conforme o programa
que o próprio poeta imaginou no último poema do livro Estrela da tarde, “Programa para depois de minha morte”.
Bem merece isso aquele que sempre se exprimiu com
simplicidade e humildade franciscana, num estilo admiravelmente conciso que,
embora claro e simples, nunca abdicava da dúvida e do mistério, astutamente
disfarçados — como se tivesse vergonha de aparentar profundidade. Uma vergonha
mais franciscana do que modernista. O modernismo, convém
dizê-lo, não foi a principal influência em Manuel Bandeira: o autor de Libertinagem continuou sendo meio simbolista e meio parnasiano,
meio clássico e meio romântico, meio moderno e meio medieval. Nenhum momento,
na história da poesia ocidental, lhe era demasiado estranho, como não lhe eram
estranhas a poesia japonesa ou persa.
O casamento do poeta inspirado e do homem culto só
podia dar no que deu: o clássico Manuel Bandeira.
24/07/2011. Ontem, finalmente, assisti em Restinga à missa em
latim, quase meio século depois das mudanças do Paulo VI (ao qual Manuel
Bandeira dedicou um soneto em A estrela
da tarde, e de quem o poeta esperava que fosse “reconduzir a cristandade ao
aprisco do Pai”, “quando em torno de nós raiva o funesto desvairo”; e de quem
Gustavo Corção, ao contrário, disse ser o mais
desmoralizado dos homens).
Foi uma viagem meio proustiana ao meu passado e ao
passado do Ocidente, apesar de me sentir meio perdido naquele ambiente sagrado,
cheirando a incenso, com mulheres de véu, cheio de sinais e símbolos que não
conhecia ou que o tempo se encarregou de apagar da memória, no longo exílio
agnóstico que me tinha imposto, para um dia enfim chegar a Deus “por linhas
tortas”, usando o método operacional preferido do Criador.
Restinga é uma cidade de cinco a seis mil almas, aqui
perto, entre Batatais e Franca. Padre Michel Rosa, pároco do povoado, faz
questão de usar batina quando em público. Foi assim que o vi atravessando a
rua, a caminho da capela, no fim da tarde de um sábado bem prosaico: com aquela
roupa negra ondulando-se às rápidas passadas, e que já tinha perdido de vista
desde os tempos do Colégio São José, nos anos sessenta (padre Ciro e padre
Bento, espanhóis bascos, ainda davam as suas aulas de batina).
O templo de Restinga é simples e pequeno, de poucas
imagens: uma Nossa Senhora Aparecida à esquerda, antes do coro, e um grande
crucifixo sobre o altar, abraçado pela pequena e nua abside da capela. O
libreto bilíngue da missa estava à disposição dos fiéis. Ao redor, uma pracinha
típica do interior num fim de semana, com botecos, sorveteria, velhos
aposentados e alguma lataria velha passando com o som no último volume. A minha
aposta era a de que o latim perderia para Restinga.
Ganharam o latim e a fé. O padre não fez feio. Ao
contrário: com voz firme e grave, mostrou que está preparado para celebrar o
rito tridentino, é estudioso do latim e cuidadoso com
o aspecto musical da celebração. Não havia órgão de tubos, mas o pequeno
teclado elétrico, discretamente escondido no transepto direito, imitava-o bem;
e o grupo de cantores sabia ler música e cantar com elevação. Só lamentei que
meu pai, morando longe, não estivesse ali a meu lado,
ele que foi coroinha nos anos trinta e tinha de decorar o latinório para as
missas em que ajudava.
Padre Michel é goiano e tem 31 anos, mas parece ter
mais, muito mais — parece ter a própria idade do cristianismo.
18/07/2011. Se há uma revolução que pode ser chamada de gloriosa é
a dos anos sessenta (não a dos militares brasileiros, mas a dos jovens da
Aldeia Global). Venceu como nenhuma outra. Um dos seus principais objetivos era
transformar a adolescência em estado permanente do indivíduo. A coisa mais
fácil de encontrar, hoje em dia, de preferência no ambiente acadêmico, são velhinhos ou pré-velhinhos com
impulsos e conflitos típicos da puberdade.
17/07/2011. O Banco, pelo qual recebo meus míseros tostões
mensais, promete-me atendimento diferenciado... A agência que me vendeu um
carro, também. Não quero. Podem ficar com ele. Atendimento
diferenciado só espero de Deus, se eu for merecedor.
16/07/2011. O Absurdo apareceu na história, quando o homem passou
a acreditar demais na própria força, controlando a realidade como se fosse
Deus. Se isso começou na Renascença, como é provável, D. Quixote e Hamlet
talvez sejam as suas primeiras grandes manifestações literárias: os dois, auto-amplificados pelo espelho
megalomaníaco da modernidade, queriam mudar o curso imutável das coisas.
15/07/2011. Se você quiser imunizar-se contra o vírus da
literatura, matricule-se num curso de letras.
14/07/2011. Sobre o cavaleiro Georges Bernanos,
o filho de Afonso Arinos Melo Franco, Afonso Arinos Filho, tem uma lembrança
impressionante: “Chegava montado num belo animal, chamado Osvaldo pelo
escritor, por ser presente de Osvaldo Aranha, muito ligado a Virgílio, que lhe
recomendara o amigo. Mas o porte ereto que mantinha ao cavalgar se desfazia
quando apeava. Era como um centauro se desintegrando, apoiado em duas bengalas
para sustentar a perna defeituosa, a subir, com dificuldade, os poucos degraus
da varanda que circundava a casa.”
13/07/2011. Para licenciar um carro novo, e escapar da taxa do
despachante, experimentei nesta semana o doce prazer de lidar com a Ciretran, que aliás rima com Leviatã. É importante, pela
menos uma vez ao ano, deixar-se vitimar por algum órgão estatal, para que
nossas imprecações contra o monstro do coração de pedra não soem por demais teóricas.
Um dia, certamente, todo o serviço público será rápido
e tranquilo como o Poupatempo paulista, mas é justamente aí que morará o
principal perigo: seremos devorados e cuspidos pela grande máquina — lobo vestido de
cordeiro —, sem sentir o menor espasmo de dor.
O indivíduo, hoje, não é vítima somente do rolo
compressor do Estado. Com a tecnologia da informação, os empresários
conquistaram poderes leviatânicos e também oprimem,
sobretudo pelo telefone 0800. Quem achava que a iniciativa privada fosse o beemote que daria cabo do leviatã estatal, vai esperar
chupando o dedo.
12/07/2011. Esboço para o futuro
homem.
Meu pai e minha mãe foram sábios:
Me ensinaram a amar a mim mesmo sobre todas as coisas.
Todos os dias são sagrados para mim
Pois em todos eles cultuo meu Deus preferido:
Eu mesmo.
Gosto de droga, de rock e da mulher do próximo.
Se precisar eu minto.
Se precisar eu roubo.
Se precisar eu mato.
11/07/2011. O romance A
estrela sobe, de Marques Rebelo, que sempre corre o risco de ser
apresentado como documento ficcional do meio radiofônico brasileiro nos anos
trinta, parece ser, na verdade, uma síntese feliz da história da humanidade, na
visão que René Girard possui dessa mesma história: competição desenfreada, ameaça de sacrifício punidor para manter a espécie viva e
surgimento do cristianismo, há dois mil anos, substituindo a expiação pela
misericórdia, o que bastava para fazer dela a religião mais recomendável do
ocidente.
Esses três conceitos fundamentais do pensamento de
Girard — desejo mimético, bode expiatório e moral cristã —, marcaram encontro
na obra de Rebelo, o qual, grande leitor de romances que era,
de Cervantes até Proust, sabia muito bem dos perigos da rivalidade mimética, aquela que decorre da irreprimível necessidade
humana de imitar o desejo alheio, de desejar o que os outros desejam,
transformando a violência num estado quase natural das pessoas.
10/07/2011. Ao chegar no Brasil, Bernanos recusou convites para se instalar no Rio, onde
viveria permanentemente incensado pelos novos amigos, geralmente velhos
admiradores de sua obra, que o explorariam sem descanso. Pelo menos, era assim
que pensava Gustavo Corção, quando certa vez o
visitou no Rio e o viu assediado pelos fãs:
“Bernanos pareceu-me uma montanha. Estava
sendo explorado. Estava sendo escalado, percorrido, sondado por mineiros ávidos
de novos filões. Ou então era um navio, um enorme e velho navio de muitas
viagens, que tivesse encalhado ali em país exótico, com os porões abarrotados
de tesouros...”
Era preciso “economizar” Bernanos,
sugeriu Corção. Foi sem dúvida por isso que ele deu o
fora do Rio, já prevendo o que ocorreria se permanecesse perto das rodas
intelectuais: deu as costas à agitação litorânea e tratou de enfurnar-se no
interior para “economizar-se”, primeiro em Pirapora, norte de Minas, às margens
do São Francisco, e depois em Barbacena, ao sul, entre São João del Rei e Juiz de Fora, mais
próximo do Rio. Ninguém era mais avesso à República das Letras do que ele.
09/07/2011. Fato curioso, por certa dose de romanesco que
continha, foi o primeiro encontro de Georges Bernanos,
em Barbacena, com um jovem advogado mineiro, que depois seria um de seus
principais amigos no Brasil e romancista de talento. Era Geraldo França de
Lima, amigo pessoal de Guimarães Rosa, que atuava como
professor na escola pública da cidade, então recém nomeado pelo governador
Benedito Valadares. Ele próprio narrou o encontro:
Uma tarde bem fria de julho, aproveitando um
restinho de sol, eu me achava sentado num banco do jardim de Barbacena, lendo
uma revista, por sinal o último número que recebi do Mercure
de France. Tive a atenção voltada para um vulto que se aproximava: alto,
corpulento, apoiado em duas bengalas, que com dificuldades se encaminhava para
o banco em que me encontrava. Mais do que as duas grossas bengalas e a sua
cabeleira revolta, branca, chamavam a atenção seus olhos violáceos impregnados
de fogo, de combatividade, de vida. Sentou-se a meu lado. Acomodou no chão as
bengalas e tendo percebido que eu parara a leitura, disse-me:
– Je vous dérange... Pardon...
Ficou
surpreendentemente sabendo, logo em seguida, que o homem das bengalas era
Georges Bernanos, de quem o jovem era grande
admirador: por mais de uma vez, tentara sem sucesso encontrar-se com o ídolo
literário. Aquele diálogo, que se iniciara na tarde fria de Barbacena, só se
interromperia com a mudança de Bernanos para o Rio,
em 1944.
Geraldo França de Lima escreveu um belo depoimento
sobre sua amizade mineira com Bernanos, pelo qual
ficamos conhecendo um pouco de sua história na pequena cidade: seu sofrimento
com a situação da França ocupada e os futuros conflitos do escritor com algumas
pessoas da cidade, forçando-o a mudar-se dali em 1944.
Admirável, também, é o retrato do escritor feito pelo
amigo mineiro: as suas grandes explosões de cólera contra a mediocridade e a
voz profética, sempre procurando avisar e prevenir sobre futuro do Ocidente
que, perdendo o Cristo, inevitavelmente decairia. O escritor que “ousou dizer o
escândalo da verdade, e ousou sondar o escândalo da santidade”, nas palavras de
Gustavo Corção, não precisaria de muito esforço para
imaginar qual seria o futuro da aventura humana. Em muitas previsões acertou:
como consequência do ateísmo materialista, a eutanásia e o aborto ainda seriam
considerados as coisas mais normais do mundo... E acertou infelizmente sobre o
seu próprio fim: jurava que sofria de um câncer no fígado, e seria disso que morreria, alguns anos mais tarde, já de volta à França.
Bernanos era um extrovertido, pensava em voz alta, um “vulcão ativo”. Segundo
Geraldo França de Lima, seu estilo literário era a mais pura expressão do seu
temperamento eruptivo. Como poderia um
homem com este teor vulcânico viver mais de sessenta anos?
Foi uma figura “complicadíssima”, “com altos e baixos,
decepcionado e desconfiadíssimo (...) cavalgando, a passo, um baio manso e
magro; ora, abstrato num café, com a pena esquecida na sua mão; ou subindo com
dificuldade a escadaria de pedra da Matriz colonial; ou em sua casa de Cruz das
Almas; ou no hall do Grande Hotel desancando os aqüistas
de Vichy. Era um extrovertido: pensava alto,
exprimia-se sem meias-palavras, sem rodeio, aos gritos, com gestos fortes.”
08/07/2011. Um amigo disse a Pio Baroja:
— A revolução francesa tinha as melhores idéias, mas os piores homens.
Respondeu o escritor:
— É o contrário. A revolução tinha grandes homens, mas
nenhuma idéia de valor.
07/07/2011. Psicopatologia do vento.
O vento sempre teve grandes planos
Para as cinzas e a poeira dos caminhos.
Regente titular dos oceanos,
Dançarino do fogo e dos remoinhos,
Pastor das nuvens quando o céu descansa,
Na tempestade vira um condottiere
Que enlouquece e destrói, rebenta e fere,
Só feito de imprudência e intemperança.
A mesma brisa que, no fim da tarde,
Murmura uma cantiga sonolenta
Ou conta o mais pacífico segredo,
Pode fazer de ti o mais covarde
Dos seres — e, na fúria da tormenta,
A presa mais patética do medo.
06/07/2011. Um dia desses, com dinheiro nosso, a TV Cultura botou
o rockeiro Lobão para dar aula de teologia no
programa Café filosófico, como se
fosse possível filosofar em boteco, lugar de jogar conversa fora. O rockeiro cumpriu à risca
esse mandamento e encheu várias latas de lixo com suas ideias de jerico e
girino. Nome perfeito para a futura dupla sertaneja do Lobão: Jerico &
Girino.
05/07/2011. O retorno da família exilada.
Quando uma coisa não correspondia
Ao que esperava que essa coisa fosse,
— É o fim do mundo! — meu avô dizia,
Com aquela cara de homem que espantou-se.
Meu pai já se espantava muito menos:
Aprendeu a aceitar o inaceitável
Como inerente à fauna miserável
Desses bichos da
terra tão pequenos.
Eu fui além dos dois na patuscada,
E já nasci propenso a ver o Nada
Como um deus imperando sobre os entes.
Meu filho, em vez de me seguir no abismo,
Olhou para o alto; e, em vez do meu niilismo,
Conseguiu ver as coisas permanentes.
04/07/2011. Da Bíblia politicamente correta. E Deus fez o homem à sua imagem e semelhança: e os criou macho, fêmea,
gay, travesti e transexual.
03/07/2011. Julián Marías (1914-2005) é um dos grandes pensadores da segunda
metade do século XX. Discípulo de Ortega y Gasset e
Xavier Zubiri (que prefaciou a sua famosa História da filosofia), escreveu com
brilho e inteligência sobre todas as coisas humanas — nada do que era humano
lhe era estranho. Amava o Brasil, aquele Brasil que ainda era digno de amor e
escutava as suas conferências, publicava os seus artigos. Seu filho Javier Marías (que assim se chama, provavelmente, em homenagem ao
mestre Zubiri) é um dos romancistas espanhóis mais
famosos da atualidade.
Visite o nosso blog e leia o pequeno ensaio “O respeito à universidade”, que O Estado de São Paulo, no “Suplemento Cultura”, publicou
em fevereiro de 1982. Continua perfeitamente na ordem do dia.
02/07/2011. Viagem ao fim do mundo.
Quem chega à capital do fim do mundo,
Babel reerguida da Babel desfeita,
Pode seguir à esquerda ou à direita,
Subir na torre ou mergulhar bem fundo,
Tornar-se um rei, virar um vagabundo
Lúcido e magro numa rua estreita,
Ou, logo mais, no próximo segundo,
Uma velhota gorda e satisfeita.
A capital do fim do mundo é imensa
Como um deserto, bela como um raio
Acorrentando o Inferno ao Paraíso
Sob o manto comum da indiferença.
Mas é, também, sinal de Deus — amai-o!
Terrível como Deus — mas é preciso...