NOTAS PARA UM
DIÁRIO - 70
25/04/2011. A segunda vinda (Yeats).
Girando e regirando em círculos centrífugos ,
Já não pode o falcão ouvir o amestrador;
As coisas se fragmentam; descentrou-se o centro;
Tomou conta do mundo o mais completo caos
E a maré cor-de-sangue explode: em toda parte,
Morre afogada a cerimônia da inocência;
Os melhores perderam toda a fé, e os maus
Nunca estiveram tão possuídos da maldade.
Uma revelação parece estar bem próxima;
Parece estar bem próxima a Segunda Vinda.
Uma Segunda Vinda! E me bastou dizê-lo,
Para a imagem nascida do Spiritus Mundi
Turvar meu olhos: nas areias do deserto,
Um leonino corpo de cabeça humana,
Olhar vazio mas implacável como o Sol,
Move sem pressa o passo, enquanto sobre si
Rondam os pássaros ferozes da aridez.
Baixa de novo a escuridão, e agora eu sei
Que vinte séculos do sono mais granítico
Foram só pesadelos de um bercinho dócil...
Mas que bicho terrível, na hora já soada,
Vai se arrastando até Belém para nascer?
24/04/2011. Caio Fernando Abreu, autor do romance Onde andará Dulce Veiga?,
tinha humor e talento narrativo, mas completamente
perdido no universo pop de sua geração. As duas artes que atravessam a obra do
começo ao fim são o cinema e a música popular, às quais se rende
incondicionalmente. É, como se dizia antigamente, produto do meio.
A personagem Dulce Veiga, lésbica, foi emprestada do
romance A estrela sobre, de Marques
Rebelo (era amante da protagonista Leniza), mas —
sinal dos tempos — através de sua versão cinematográfica, filmada por Bruno
Barreto em 1973, com roteiro do diretor e de Cacá Diegues, que cuidaram de
eliminar o final “metafísico” da obra rebeliana.
Onde andará Dulce
Veiga? não resiste como literatura,
mas é bom documento de época.
23/04/2011. E eu, que nunca tinha pensado na respeitável hipótese de virar um
sujeito do século passado?
22/04/2011. Os filhos cresceram, estudaram, foram embora para sempre. Mas de vez em
quando a família se reencontra na velha casa — e como vou descrever a alegria
da mãe, ao ver toda a sua obra ali reunida, opera omnia,
obra completa em quatro tomos, papel bíblia e encadernação de luxo?
21/04/2011. Um dos principais motivos para eu não viajar, é a profunda inveja que
sinto das pessoas que moram nos lugares em que estou só de passagem: invejo-lhes a rotina, o conforto de estar em casa ou muito
perto dela, a ostensiva familiaridade com o ambiente. Gostaria de ser um deles,
sem representar o papel de estrangeiro deslocado a que me obrigam as agências
de turismo ou as obrigações profissionais. Se me ocorresse que vários desses
nativos estariam doidos por dar o fora e refazer a vida noutro lugar, talvez me
incomodasse menos o rápido exílio.
20/04/2011. É muito reduzida a chance de um escritor como Agrippino
Grieco fazer sucesso hoje em dia: era católico,
conservador e escrevia bem, muito bem, fosse para aprovar um autor ou demoli-lo
com sarcasmo. Algum professor universitário pode até “salvá-lo” por este último
atributo, confundindo-o com os piadistas do modernismo, mas logo vai descobrir
no ensaísta fluminense o feroz inimigo da modernidade politicamente correta; e,
então, o abandonará na primeira curva do caminho acadêmico, desinfetando-se em
seguida da má companhia.
19/04/2011. Todo ano, no mês do aniversário, faço meu recadastramento obrigatório de
funcionário público do Estado de São Paulo. Nesse 2011,
sob a gestão tucana do católico Alkmin, repeti o ritual, e nem seria preciso
escrever nada sobre a coisa, se não fosse surpreendido com algumas mudancinhas sintomáticas, nada católicas.
Na primeira delas, depois de indicar a configuração
específica que Deus me deu, a masculinidade, agora também sou obrigado a
escolher entre três orientações sexuais:
heterossexual, homossexual ou bissexual. Burocratas, adeptos da seita do Homem
Novo, decidiram que não me basta somente pertencer ao velho e multimilenar sexo masculino.
Daqui ao matrimônio gay, ou gaymônio,
será um pulo. Os argentinos é que puxaram a fila. Um a zero para eles.
Mais divertida é a segunda
mudança, que obriga a informar minha identidade
de gênero: homem, mulher, travesti ou transexual. Minha mulher acha que sou
homem; concordo plenamente com ela. Confiando na palavra dela e na minha
percepção, escolhi a opção homem.
Nunca pensei dos travestis e transexuais que não
fossem homens ou mulheres. Mas o pessoal do homem-novismo,
que gosta de competir com o Criador do universo, decidiu que agora somos quatro
gêneros no barco veloz da humanidade. Temos companhias; e tudo garante que a
viagem será bem menos monótona.
18/04/2011. Meus lábios não pecarão
Se, por tudo o que hei pecado,
Rogue a Deus ser perdoado
Pelo mais alto perdão?
Mas, ó língua, não pareces
Ser o tijolo adequado
Para erguer torres de preces
O que espera ser perdoado.
Palavras são muito impuras.
Pudesse planger meu sino
De pecador, nas alturas,
Pedindo o perdão divino...
Do lado escroto de cá,
Babel distante de Sião,
Milagre maior não há
Do que merecer perdão.
17/04/2011. O sexo, na obra de Vilela, não é politicamente correto: não defende as
mulheres contra a violência do pênis masculino (hoje em dia, com os avanços da
cirurgia plástica, enfatizar este qualificativo não é pleonástico), nem faz
circular gays e lésbicas militantes pelos seus contos e romances. É puro e
simples produto da luxúria literária, paixão pelo qual o velho Dante botava as
suas vítimas no primeiro circulo do Inferno, não tão distante do Purgatório…
16/04/2011. O homem
gratuito.
Por que pensar, se os pensamentos eram vãos
E o Acaso o grande responsável por meus atos?
Tentando ser mais Pôncio que
o próprio Pilatos,
Perdi meus dedos de tanto lavar as mãos.
14/04/2011. Caro Luiz, espero que esteja tudo bem com você
e os seus. Meu escravo, Mr. Notebook, é que não anda bem das pernas, ou melhor,
do cérebro... Voltou do hospital com problemas, depois de quase uma semana
faltando ao serviço. A solução vai ser aposentá-lo (ou melhor, alforriá-lo;
custo a me desfazer do velho vocabulário celetista). E comprar novo escravo.
Juro que preferia escrava, uma mulata assanhadamente eletrônica (passando com
graça, fazendo pirraça etc.), mas o gênero dos eletrodomésticos é escolhido não
sabemos por que misterioso critério tecnológico. Fogão é "macho",
televisão é "fêmea", como geladeira e lava-roupa. Mas desconfio que posso ser enquadrado nalguma lei de segurança étnica e é
melhor parar por aqui. Um abraço.
13/04/2011. Neil Postman, confrontando os futuros
prometidos por Orwell, doloroso, e Huxley, prazeroso, concluiu acertadamente
que o segundo tem mais chance de realizar-se (aliás, já está em plena
fabricação). As pessoas se divertirão tanto, no porvir huxleyano,
que não vão conseguir identificar como opressora a força que os dominará. Os
livros não precisarão ser censurados, nem mesmo os que alertassem para o
terrível fato, pois ninguém mais terá necessidade de lê-los. A informação
chegaria por outras fontes, e seria tão abundante, que afogaria o discernimento
individual num mar de superficialidades.
— O público está distraído — já reclamava Saul Bellow
no final do século passado.
Só tende a aumentar o deficit
de atenção para o que verdadeiramente conta.
“Em 1984,
segundo Huxley, as pessoas eram controladas pelo sofrimento. No Admirável mundo novo, pelo prazer.
Enquanto Orwell temia que nossa ruína seria o que
odiamos, Huxley tinha medo de que nos destruisse
justamente o que amamos.” (Neil Postman, Divertir-se até morrer).
12/04/2011. Os argentinos, que desde 2010 já podem se casar com muchachos e muchachas do mesmo sexo, acrescentaram uma nova palavra ao
dicionário de espanhol: gaymonio.
11/04/2011. O casal gay vai decidir no par-ou-ímpar quem vai vestir o terno preto ou
o terno branco? Ou o critério virá da cama? A quem couber o branco, poderá
copiar o modelo republicano do Richard Clayderman ou
monárquico do Rei Roberto.
10/04/2011. Querem transformar em crime o sentimento legítimo das pessoas de ter
aversão sexual por indivíduos do mesmo gênero, já batizado de homofobia. Afirmemos, então, com ênfase
a nossa heterofilia, enquanto ainda
não podem nos encarcerar por isso, e sejamos felizes anticorpos a quem a lei
ainda permite reagir a antígenos diferentes.
09/04/2011. Ando folheando minha coleção de suplementos antigos: os do Estadão (o “Suplemento Literário” que
morreu em 1975, seu substituto “Suplemento do Centenário”, criado para comemorar
os cem anos do jornal paulista, e o “Cultura”, que
veio logo depois e de algum modo revivia o espírito do velho suplemento) e os
da Folha (“Folhetim” e “Mais”).
Era o que minha geração de paulistas do interior tinha
mais facilmente à mão, para saber alguma coisa do mundo do espírito ou do
espírito do mundo... Havia, naquela época, um treco chamado direita e e outro chamado esquerda:
a primeira morava no Estadão e a
segunda na Folha. Eu era feliz e não
sabia.
Quem se afinava mais com escrita elegante e valores
tradicionais, assinava o Estadão.
Tinha a má fama de ser o jornal dos ricos. Eu não era rico nem queria ser rico,
mas todo domingo ia à banca de revista de Ao
mercadinho e, enfrentando o mau humor do proprietário, pegava meu tijolão
de papel (o Estadão, aos domingos
trazia mais classificados do que tudo), juntava a ele a mais magrinha Folha, pagava e saía.
A Folha era
o jornal dos “progressistas”, palavra que na época substituía a inconveniente “esquerdistas”, pois o pessoal ainda tinha
medo dos militares, prazer que, francamente, eu nunca cheguei a experimentar,
pois era um rapaz mais preocupado com o mundo do espírito do que com o espírito
do mundo. Não posso negar que cutivasse um leve
esquerdismo, que balançou um pouco minhas virtudes teologais, mas deixou
intactas as cardiais.
Vejo, agora, sobretudo pelos exemplares amarelados do
“Folhetim” (que mimetizava descaradamente o Pasquim
e com ele até rimava), o quanto a esquerda era livre na época do general
Geisel! Esse pessoal chorava de barriga cheia. Em reportagem de 13 de janeiro
de 1980, “Cala boca já morreu”, famoso autor infanto-juvenil, João Carlos
Marinho, dizia achar “interessante abordar-se na literatura infantil o
homossexualismo da criança, a descoberta do corpo, a masturbação infantil — que
não tem nada a ver com o homossexualismo adulto”.
Nessa matéria, que entrevistava vários nomes que se
destacariam, nas décadas seguintes, nesse farto filão editorial da literatura
para crianças, o leitor pode perceber como a “engenharia social”, setor
literário, já fazia em plena luz do sol os seus projetos de construção do Homem
Novo e os exibia sem nenhum constrangimento. Não iam presos, nem eram
torturados. Tortura era a nossa, ao passar do português bem escrito do Estadão para o pasquinês
da Folha.
Em 6 março de 1983, padre Charbonneau publicava no “Folhetim” um artigo contra a
escola antiga, sufocada pela “ordem” e a “subserviência”, e encorajava o
pessoal da área a criar a escola livre, transformando “o processo de educação
num despertar corajoso, audacioso, realista, da consciência dos jovens, de tal
modo que eles sejam integrados muito ativamente na elaboração de uma sociedade
nova que corresponda à necessidades e às esperanças do homem latino-americano.”
Quase um ano antes, em 9 de
maio de1982, no suplemento “Cultura” do Estadão,
o editor Roque Spencer Maciel de Barros (professor da USP da época em que a USP
ainda podia ter professores de direita) fazia publicar um ensaio da filósofa
suíça Jeanne Hersch, “Defeitos da pedagogia”, em que
ela já mostrava o desastre que tinha ocorrido com a educação européia, depois de botar em prática receita parecida à do
padre mencionado. Mas quem deu ouvidos a madame Hersch?
Quem sobreviveu, já viu no que deu.
05/04/2011. Quem em 2006 visse o famoso documentário do Al Gore,
Uma verdade inconveniente, e ainda
não soubesse nada sobre ambientalismo, ou soubesse
unicamente o que à mídia interessa propagar, a chance de ficar espantado era
muito grande: cenas hollywoodianas de catástrofes naturais eram terrivelmente
associadas ao “aquecimento global” do século XX, o qual, segundo um gráfico
assustador mostrado no filme, era o maior de todas as épocas e tinha sido
causado por nós mesmos — por mim, por você, pelo nosso patrão —, portanto,
antropogênico. Junto a isso, vinham depoimentos sisudos de alguns cientistas
recomendados pelo Al Gore, que é o principal carimbo
de autenticidade para a crença do homem moderno.
Esse lado “científico”, porém, não é o único do
documentário: alterna regularmente, num verdadeiro e enjoativo contraponto, com
fatos da biografia do político americano, e esse lado pessoal é tão manjadamente propagandístico (o ex-vice-presidente parece
mais interessando em lançar sua candidatura a anjinho do Senhor), que nenhuma
pessoa medianamente honesta e inteligente deixará de peidar em sua homenagem.
São os dois espantos que o filme provocaria, em quem
ainda não soubesse nada do sr.
Al Gore e de “aquecimento climático”: um grande desprezo pelo candidato
democrata e o medo sincero de que o gás carbônico produzido pela humanidade
esteja realmente nos levando para o buraco.
Mas, depois do filme, o cidadão teria obrigação de
fazer a seguinte pergunta: tenho o direito de acreditar no que diz e como diz um
sujeito desses? É uma dúvida obrigatória aos que nada entendem de climatologia,
mas conseguem decifrar mais ou menos as mensagens humanas.
04/04/2011. Entre as hipóteses de haver ou não haver Deus, confesso
que a última me tentou por algumas décadas, apoiada em boa parte da literatura
e da filosofia contemporânea, mas principalmente em minha própria miopia. Mas,
se eram mesmo hipóteses, por que diabo não fiquei com
a mais “natural”, que era a possibilidade de ter um Pai, no caso, eterno?
Não é preciso grande esforço para responder. Foi a arrogância moderna da independência, a mesma que, em minha
geração, incitava os filhos a deixar a família, coisa pré-histórica, para a
grande aventura da libertação moral.
Mas que raio de pensamento é esse que defende tão
incompreensível necessidade de ser órfão?
03/04/2011. Em 1968, eu tinha doze anos e juro que não tive notícia alguma do
cirquinho estudantil que se apresentava nos principais praças do Ocidente. Nem
eu, nem ninguém da minha idade. Se fosse hoje, seria bem diferente: a própria
direção da escola teria recebido uma circular da Delegacia de Ensino
transformando a revolta em matéria de “educação para a cidadania”, que seria
acompanhada ao vivo e em cores pela rede de video-conferência
da Secretaria de Educação.
“Educação para a cidadania” é o nome da disciplina
escolar que o primeiro-ministro Zapatero enfiou no currículo espanhol. Até o
filósofo Gustavo Bueno foi contra, e note-se que é marxista ao ponto de ter em
sua casa um busto de Lênin entre posters do Che, do
Nixon e do João XXIII — imbroglio
que não será, certamente, a melhor salada da Espanha.
02/04/2011. Quando Sílvio Caldas canta que chorar é converter em pérolas a dor,
sabemos que a pérola do letrista não é a mesma da joalheria. Nem que a pajarita de cristal de Antonio
Machado — criada pelo poeta para renomear a coisa estrela — seja suscetível de
engaiolar-se ou abater-se pela estilingue. Tudo não
passa de truque verbal, mas essa meia-dúzia de linhas seria incomparavelmente
mais fosca se nela não brilhassem essas duas jóias de
mentirinha.
01/04/2011. O último melodista da música popular brasileira que me agradou foi o
Guinga. Quando conheci suas canções, por um Cd
emprestado do poeta e amigo Luiz Antônio de Figueiredo, algumas delas elas
foram irresistivelmente assimiladas na hora e com prazer. É o critério que ando
usando atualmente para julgar canções. Há melodias que até cantarolamos ou
assoviamos, à força de tanto ouvi-las, como as que introduzem novelas de
televisão. Já me peguei fazendo isso com os troços sonoros mais detestáveis, o
que já é mais assunto de psicologia social que da estética...
Algumas melodias do Guinga são tao
boas, que conseguia ouvi-las apesar
da carioquice geral da coisa e das letras antipáticas
do dr. Aldir Blanc, que faz
aquele tipo de letra exibicionista, chamando demasiada atenção sobre si mesma,
como se competisse com a melodia a quem devia servir. Pelo menos nesse aspecto,
o velho e maluco Vinícius de Moraes era um sábio: seus
versos para canções eram geralmente simples e funcionais, sem deixar de ser
muitas vezes belos. Sabia que o lugar para mostrar habilidade verbal era a
página do livro, não a melodia do Jobim.
Há quem diga que a música popular brasileira morreu.
Segundo esses pessimistas, podem até surgir belas canções aqui e ali, feitas
por algum jovem com mais esperteza mimética que criatividade, porém jamais
teremos de novo aquela produção sistemática e talentosa da era do rádio, ou da
época dos festivais politizados dos anos sessenta.
Será mesmo?
Nesses dois “movimentos”, se os podemos chamar assim,
havia um padrão musical dominante que os compositores individuais assimilavam e
lhes garantiam a vida profissional: seus produtos podiam ser gravados e
ouvidos. Depois do rock, o padrão dominante mudou. A ária de ópera, que sempre
tinha sido o modelo confesso ou inconfessável da música popular, mais que os
próprios folclores nacionais, desceu do seu posto e a
melodia deixou de ser a parte mais importante da canção, mesmo em gêneros que
nada tinham a ver com o rock. Mais urgente que cantar, era gritar e dançar como
imbecis, e depressa essa atitude passou a ser uma arma poderosa na revolução
cultural dos anos sessenta, ao mesmo tempo criadora e criatura da nova
mentalidade.
Acredito que a canção popular mais elaborada vai ter
sempre o seu pequeno público, e é para ele que de repente pode surgir um novo
talento, milagrosamente criativo, capaz de provocar o velho encanto estético. O
que Elomar tem a ver com os centros de produção
musical convencionais? Surgiu sozinho, e individualmente se impôs a um público
fiel, que comprava seus discos nos poucos recitais que dava por aí.
A internet, que está abrindo horizontes para tantas
atividades anteriormente travadas, pode ser uma solução para jovens músicos de
talento que não se importem mais com vender discos, utilizando sabiamente a
rede como transportadora gratuita de parte de sua produção, para lhes garantir
público nos shows e nos recitais.