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NOTAS PARA UM DIÁRIO - 60
31/07/2010. A internet vai
repor em circulação todos aqueles textos que os dois ou três últimos milênios
vinham colecionando, mas que, com o sucesso da mentalidade contracultural das
décadas passadas, corria o risco de virar banquete de traças. Nas próximas
décadas, isso tudo vai correr outro risco: de ser lido por alguns malucos que,
sortudos, vão poder botar a mão no que de melhor produziu o Ocidente e o
Oriente, numa superconcentração espaçotemporal nunca antes imaginada. Vamos ter
outro surto de humanismo, parecido com o furacão gutenberguiano de quinhentos
anos atrás? Tomara que sim, sobretudo para fazer frente às futuras investidas
de biólogos e nanotecnólogos sem escrúpulos, que prometem tornar um inferno a
vida dos meus netos e bisnetos.
27/07/2010. O planeta que
mais cresce no universo.
Mesmo vasando
muito sangue,
A Terra está
superlotada.
Como diria o
Fritz Lang,
A morte vai ficar
cansada.
18/07/2010. Tudo
pela revolução.
Lula, o
revolucionário
De si próprio: o
que trocou
O macacão de
operário
Por um terno de
doutor...
09/07/2010. O
romance surge na mesma época do drama burguês, e isso não impediu o seu
sucesso. Por que desapareceria com o cinema? Para Paulo Francis, o romancista
pode ter sido substituído pelo cineasta no gosto do público, mas usufrui de uma
liberdade de criação que este último jamais conhecerá. É uma pena, porém, que o
autor de Cabeça de papel não tenha sabido o que fazer com esta
liberdade: parou no romance seguinte, Cabeça de negro, quando podia ter
continuado com suas brilhantes “psico-análises” da classe dirigente brasileira.
Ninguém sabia, como ele, animar um personagem, escarafunchando-lhe o corpo, a
mente e todas aqueles estágios de transição entre uma coisa e outra. Carne
viva, romance lançado há pouco tempo, não conta; é só um rascunho que o
escritor não quis ou não conseguiu terminar, embora se salve por alguns esboços
de personagens que já imaginamos como seriam, se a obra tivesse sido completada.