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NOTAS PARA UM DIÁRIO - 3

 

 

1 de novembro de 2005. “Por que sempre estive em guerra com o que mais me atraía no mundo, a mulher?”, perguntou-me o amigo Hildo, fã de Heráclito.

 

2 de novembro de 2005. Tchekhov foi vencido pela tuberculose, ainda novo. Sua obra derrotou a mais terrível das doenças: o tempo.

 

3 de novembro de 2005. Quem tem mais verdade: a vida ou a morte? Presa da carne e do dinheiro, a maioria das pessoas não quer pensar na vida e morte. Não quer, ou não consegue — não importa. Enquanto isso, a ciência trabalha para crianças caprichosas, que não possuem, como os intelectuais, esse sentido exagerado de responsabilidade para com a vida, a morte, a história. Os pobres, maioria, estão cada vez mais insolentes, os ricos continuam soberbos. Tirando a tecnologia, brincadeira recente, já deve ter ocorrido algo parecido no passado. Vou atrás do Toynbee.

 

4 de novembro de 2005. À primeira vista, poderia parecer que a condição feminina foi absorvida pela masculina, restando às mulheres algumas poucas funções estritamente femininas. A mulher está cada vez mais parecida com o homem, é verdade, mas nunca esteve tão feminina. O sonho feminino era um hermafroditismo sui generis: ser adjetivamente como o homem, e continuar substantivamente mulher.

 

4 de novembro de 2005. Quanto mais o tempo passa, mais parece necessária a poesia. Poesia é segredo em público. Segredo contado principalmente a Deus, ou a um simulacro de Deus, como se Deus não soubesse nossos segredos mais sórdidos.

 

5 de novembro de 2005.

1. Cristiano Martins, um tradutor gigante

Pela dantesca tradução que fez:

Soube fazer cantar, em português,

Os belos decassílabos de Dante.

 

2. Faz tempo que a História

Tornou-se impossível.

Está mais absurda

Hoje do que nunca.

E o real, vazado

Abaixo do nível,

É uma velha surda,

Cega, muda e manca.

Nada vai nem vem

Nas águas paradas,

E água sem vento

Não toca moinho.

No grande silêncio,

Só algumas palavras

Parecem ter vida.

Eu sou testemunha.

 

6 de novembro de 2005. Domingo. Se me prendessem numa solitária e eu nada visse do mundo, ainda assim perceberia quando fosse domingo.

 

7 de novembro de 2005. Há algumas semanas, vi entrevista na TV Cultura com a poeta e tradutora Dora Ferreira da Silva, na simpática casa — nem parece São Paulo — em que viveu com o marido, Vicente Ferreira da Silva. É mulher inteligente. Citou Hölderlin a propósito de poesia, “a mais inocente e a mais perigosa das ocupações”.

 

8 de novembro de 2005. Na verdade, a frase é da parceria Hölderlin-Heidegger. Aparece no ensaio “Hölderlin e a essência da poesia”. Poesia é a mais inocente e a mais perigosa das ocupações. É inocente, ou presumivelmente inocente, pois o poeta vive longe do mundo prático, mas é um distanciamento necessário para ele enxergar o mundo em profundidade. E é aqui que começa o perigo, pois a linguagem, se também serve para o leva-e-traz de informações, é a principal via de acesso à consciência humana.

Poeta é o indivíduo que arrisca a pegar, nas próprias mãos, os relâmpagos de Deus, transformá-los em canção e distribuí-los aos outros homens. Há melhor imagem para as adversidades do fado, a condição humana?

O poeta ajuda a salvar o permanente do contingente. O próprio permanente seria fugaz: é possível salvá-lo da correnteza de Heráclito. Para isso, o poeta deve situar-se numa região intermediária, mais ou menos fora do mundo. No passado, esteve entre os deuses e o povo, como criador dos mitos. Hoje, está entre a debandada dos velhos deuses e o advento de novos deuses.

Uma época sem deuses é uma época de indigência, mergulhada em niilismo. O poeta, em tempo de indigência, salva as coisas essenciais, guardando-as ou com elas preparando a aurora dos novos deuses... Só um deus pode nos salvar, insiste Heidegger. Qual o risco que o poeta corre, numa época dessas? Transformar-se num erradio do espírito, tratado como um bêbado, um louco, um delirante.

 

9 de novembro de 2005. Martim Heidegger deve ser procurado, como se procura um louco para ouvir dele algumas verdades profundas, em meio aos delírios da loucura. Nunca a famosa definição macbethiana serviu tanto para caracterizar um pensador e um pensamento: o mundo é uma história contada por um idiota, cheia de barulho e fúria, significando nada.

Trouxe de volta a morte para o centro da filosofia, fazendo dela a base da busca da verdade. Mostrou o que acontece ao homem quando se nivela às coisas. Botou a poesia ombro a ombro com a filosofia. Foi crítico da tecnologia auto-deslumbrada. Fico imaginando se ele tivesse feito tudo isso com a graça de um Ortega y Gasset...

Mas é bom evitar os heideggerianos,  cuja loucura de segunda mão nenhum serviço presta ao conhecimento, com aquela imitação grotesca do maneirismo etimologista do ex-reitor nazista. Através de Derrida e o desconstrucionismo, tornou a crítica acadêmica pior do que já era. Depois de Nietzsche ter matado Deus, Derrida quis matar o “eu”, como se ele já não fosse um moribundo nas mãos do igualitarismo e do consumismo. Segundo essa tendência crítica, é preciso desconfiar do escritor, desmontando o que ele escreveu, para descobrir o que quis dizer a linguagem através dele. O escritor chama-se Linguagem. E linguagem é só sintoma, segundo Monsieur Foucault; deixou de ser escada para o andar superior da existência, onde moram os grandes arquétipos.

 

10 de novembro de 2005.

 

Schopenhauer revisited

 

Uma tirânica voz

Que não pára de mandar,

Da nascente até a foz,

Da foz ao fundo do mar,

Decide o que somos nós:

Mais querer do que aceitar.

 

11 de novembro de 2005. Machado de Assis é sempre um bom antídoto contra o barroquismo nato do brasileiro, sua confusão congênita, sua eterna inclinação para o carnaval. Nossa atração pelo baixo cartesianismo viria disso, segundo Sérgio Buarque: necessidade de uma barragem segura contra as correntes incontroláveis do coração. Foi pela ilusão de chão firme que o estruturalismo fez tanto sucesso na universidade brasileira. O diabo é que, entre o antídoto Machado e o antídoto semiótica, preferimos o segundo.

Mas será que a literatura voltará a ter alguma influência nos caminhos do mundo e no andar da carruagem?

 

12 de novembro de 2005. Quem ainda se lembra de Vicente Ferreira da Silva, morto prematuramente há quarenta e dois anos atrás, em 19 de julho de 1963, em desastre de automóvel? Leu Heidegger e por ele foi influenciado, abandonando por completo o caminho que então seguia, matematicamente tranqüilo pelas planuras monótonas do positivismo lógico.

“Um sistema estranho é um estímulo para o próprio sistema”, disse Novalis. Como pensava com a própria cabeça, desenvolveu estilo pessoal e idéias próprias, como bem atesta a reedição de algumas de suas obras pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda, de Lisboa (Dialética das consciências e outros ensaios, coleção Estudos Gerais, Série Universitária, 2002).

Miguel Reale, pelo Instituto Brasileiro de Filosofia, publicou em 1966, em dois grossos tomos, a Obra completa do amigo Vicente. Um dos tomos descobri, há quase trinta anos atrás, na Biblioteca Altino Arantes, de Ribeirão Preto, e li com o maior interesse. O segundo tomo encontrei por acaso, em 1983, na caótica biblioteca do prédio de Letras, que chamavam de Colméia, na USP. Lamento até hoje não ter feito fotocópia dos dois livros, nunca mais reeditados até a recente aparição portuguesa.

Com Heidegger, entre outras coisas, coincidia no pé-atrás em relação à presunçosa civilização tecnicista, vendo com clareza os perigos do marxismo e do liberalismo, além da franca recepção à literatura que, da mitologia à poesia metafísica de Hölderlin e Rilke, era uma das bases de suas idéias.

A universidade não quis saber de Vicente Ferreira da Silva. Tentou entrar na USP, mas como não tinha diploma de filósofo... Melhor para ele. Igual a Sócrates, gostava de conversar. Chegou, mesmo, a escrever alguns “diálogos”, um tanto artificiais e que não estão entre as melhores coisas que fez. Criou aliás uma bela revista com exatamente esse nome — Diálogo. Concordando porém com Sêneca, quando recomendava alternar solidão e convivência, Vicente não perdia de vista o outro pólo da mente, talvez o principal, que só o isolamento e a solidão favorecem.

 

13 de novembro de 2005.

É preciso viver como se agora.

É preciso pensar como se antes.

É preciso escrever como se após.

É preciso querer como se não.

É preciso esquecer como se sempre.

É preciso partir como se dentro.

É preciso ficar como se fora.

É preciso morrer como se nunca.

 

15 de novembro de 2005. Que república devemos comemorar? A de Ribeirão Preto, chefiada pelo Palocci?

Nunca imaginaria que minha região, batizada pela mídia de Califórnia Brasileira, fosse chegar ao Palácio do Planalto tão rápido. Pois chegou, para suprema vergonha de californianos e não californianos. O partido da verdade única enfiou as mãos na caca — em nome do Bem, evidentemente — mas esqueceu de limpá-la, ao subir no palco.

O argumento de que os outros também o fazem, e sempre o fizeram, não combina com a dialética messiânica do PT. O velho Cony terá razão: um dia, quando a gente se lembrar do que aconteceu neste ano, vai pensar que tudo não passou de uma suposta crise provocada por um suposto escândalo.

 

16 de novembro de 2005.

Sem dedos que o contem,

Faz quinze mil dias

Que entrei nesse mundo,

Vindo lá do fundo...

No entanto foi ontem.

Nasci faz só um dia.

Passou tão corrido,

Quase sem sentido,

Que a vida eu daria

Pra nem ter nascido.

E lá vou eu — planta

Andeja e sem nome

Que com fome come

O azul da distância

E com medo canta.

O meu norte? A morte.

Meu caminho: errância.

Sem reino nem lei,

Mentira ou verdade,

Sou sempre metade.

O resto não sei.

 

17 de novembro de 2005. Uma bela idéia trágica, concebida na hora certa, pode provocar a maior das felicidades.

 

18 de novembro de 2005. A vida é uma excelente idéia. Por que a morte — o fim de tudo — não poderia ser, pelo menos, uma boa idéia? Ou uma segunda excelente idéia? Há porém mais hipóteses: a sobrevivência da alma no Paraíso, que seria a mais excelente das idéias excelentes, apesar de alguns esnobes acharem que seria muito tedioso; a sobrevivência da alma no Inferno, que seria a pior das piores idéias; ou a sobrevivência da alma, sempre cansada do éter, em eternos retornos à matéria. Esta hipótese me parece a mais atraente de todas. E talvez por isso mesmo, por ser a mais atraente — cruel vingança da vida —, seja de todas a mais improvável.

 

19 de novembro de 2005. Os automóveis da França estão em chamas. Não é uma má idéia em si, porém nada existe só por si. Mais où est la France d’antan, la douce France, cher pays de mon enfance? Da infância de Charles Trenêt, evidentemente... Deixaram entrar os estrangeiros miseráveis, com um deus diferente na cabeça, e não imaginaram que podiam trombar logo além com seus filhos, criados no beco sem saída do hip-hop e do gangsta rap (segundo o jornal, “subgênero do hip-hop cujas letras tratam da vida dos criminosos e membros de gangues dos guetos urbanos americanos”).

O governo ameaça deportá-los. Janer Cristaldo acha que seria uma boa idéia, antes que eles tomem o poder e proíbam o bordeau, o beaujolais, etc.

 

 20 de novembro de 2005. Reli “A busca do ideal”, de Isaiah Berlin. Belo ensaio. Para o filósofo, os dois grandes fatos do século vinte são a revolução tecnológica e a radicalização ideológica. Esta última, movida por propósitos utópicos, tem um velho histórico que remonta, no mínimo, a Platão, e se baseia na crença em verdade irrefutáveis. Berlin prova como o mesmo assunto pode provocar verdades opostas, ambas defensáveis. Portanto, nenhuma é irrefutável. Mostra, brilhantemente, como se dão essas colisões entre verdades opostas. Se nesse mundo não há verdade absoluta, não haveria porque morrer por idéias. Um pluralismo não relativista — tolerar a verdade alheia, mantendo sem fanatismo a própria — é a única saída do beco.

 

21 de novembro de 2005. O lusco-fusco é a melhor hora do dia. Não o queria eterno, mas confesso que quase. Há um século, os poetas crepusculares cantavam o lusco-fusco (no céu e na vida). O lusco-fusco é um avanço em relação ao meio-dia. No lusco-fusco já é possível dormir. No lusco-fusco é ótimo acordar.

 

22 de novembro de 2005.

O poeta marginal

Lançou um livro bonito

Em tiragem nacional.

Poeta troppo maldito!

 

23 de novembro de 2005. O que fiz, Senhor, para merecer o presidente Lula da Silva? Comi o fruto do bem e do mal? Matei Abel? Construí a torre mais alta do deserto? Morei em Sodoma e Gomorra? Vendi José aos ismaelitas? Vendi Cristo por trinta dinheiros? Neguei-o três vezes antes de cantar o galo?

 

24 de novembro de 2005.Lula, em discurso: — No Brasil, quem perde eleição fica torcendo, torcendo para o ganhador fazer um mau governo!

Ele perdeu várias vezes. Deve saber bem o que está falando.

 

25 de novembro de 2005. Três da tarde. Enquanto a água cai, o quintal fica sozinho e ensimesmado. Nada mais melancólico que água pingando da mangueira, na tarde quase sem luz. Árvores não sabem se esconder nas árvores, como os filhos se enfiam sob as mães e os machos nas fêmeas, e por isso permanecem estoicamente imóveis, como bois no pasto. De quando em quando o sol aponta, vaza esperto das folhas e zomba das sombras no chão, para logo recolher-se a seu frio aposento de nuvens. A água logo voltar a malhar, antes mesmo que o pastor Tuga e a vira-lata Catarina tenham tempo de elaborar um projeto de descida ao fundo do quintal.

 

26 de novembro de 2005. Quase meio dia. Ligo na Rai para ver e gravar o concerto da semana, transmitido aos sábados nessa hora. O DVD já está preparado para a gravação. Soldado no seu posto, com o controle na mão, aperto o botão de gravar quando entram os créditos iniciais, avisando que será a Sinfonia nº 41, de Mozart, a Júpiter, tocada pela orquestra da Academia Nacional Santa Cecília, no Auditório Parque da Música, em Roma. A sala está lotada. Dizem que é o melhor conjunto sinfônico da Itália. O maestro é o titular, Myung-Whun Chung, coreano, que entra, faz a mesura de praxe ao público, sobe ao pódio e dá o sinal de início.

E aí o encanto, como que por encanto, se desfaz. Quando entra em cena o principal ator da peça — o som — o príncipe vira sapo e a bela orquestra se transforma numa banda de praça do Piauí. Uma bela, italianíssima cagada sonora!

Aperto o stop do controle. É coisa de terceiro mundo. Um cantor pop teria o melhor engenheiro de som da Itália.

 

27 de novembro de 2005. O conceito de pobreza, quando se livra dos critérios econômicos, fica muito mais abrangente. E então pobres não se limitam aos beneficiários do programa Fome Zero, do nosso desastrado presidente. A verdadeira fome está um pouco mais acima do estômago, disse um personagem de Faulkner apontando o coração. # O pior da tecnologia não são as máquinas e aparelhos, que podem tornar a vida menos desconfortável. O pior da tecnologia, disse há mais de cinqüenta anos Ernesto Sábato, é o perigo da matematização da vida.

 

27 de novembro de 2005, à noite.

Céu de chumbo. Frio no vale.

O que está por trás das nuvens?

O belo, o bem, a verdade

Com que a mente nos ilude?

 

Intransponível montanha!

O que existe além das pedras?

Uma sereia que encanta

Com a mais falsa das promessas?

 

O que traz a foz do rio,

Tão rapidamente azul?

O começo do infinito?

O recomeço de tudo?

 

O prisioneiro do vale

Só dispõe de uma certeza:

Sabe que a outra metade

Só vem depois da primeira.

 

28 de novembro de 2005. Ninguém melhor que Ernesto Sábato, esse genial monstrengo de três pés — com um pé na ciência, na literatura, na filosofia — para falar da tragédia da matematização do mundo, iniciada no glorioso e colorido Renascimento. Um modelo de mundo e humanidade baseado na abstração matemática.

Consideradas em si mesmas, as máquinas não incomodam; algumas tornam até mais fácil a luta com a natureza. Quando é que não estamos brigando com a natureza? O que inquieta é a possibilidade do homem virar número, virar robô. E pensar que o precursor disso tudo é Platão, ao criar um mundo perfeito, puramente mental, regido pela harmonia matemática... Será por isso que ele foi tão querido no Renascimento?

Duas coisas ameaçam o homem: o número e a besta. Todo pensamento dominado pela nostalgia do animal, da pura animalidade, acaba por afiar a unha do homem, que volta a ser um lobo hobbesiano. Sabemos que a natureza não é só bucolismo. Por trás do silêncio verde, há muita tragédia virtual: maremotos, terremotos, secas, enchentes, relâmpagos, vírus e bactérias letais.

Dá para acreditar que povos rústicos, mais perto na natureza, vivam em doce e santa paz, servindo de modelos aos fascistas civilizados? Foi com idéias parecidas que os estruturalistas franceses, crentes no bom selvagem, dominaram as universidades. Em crítica literária, criaram um método de análise das obras que visava reduzi-las, ressentidamente, à condição de contos folclóricos, a partir de esquematizações binárias, oposições simplistas. Não era a matematização dos estudos literários, disfarçada de filosofia naturalista, pré-ambientalista?

Nós somos nem anjos, nem bichos, diria Pascal. Somos só homens, tentando defender-se precariamente da barbárie da natureza sempre ameaçadora, do perigo de retorno às selvas. E da barbárie do anjo, transformando a natureza e o homem em número. O pior é que os dois inimigos estão hoje unidos: selvageria e tecnologia.

Essa matematização da vida, segundo Sábato, torna as coisas abstratas mais importantes que as tangíveis. Matamos e morremos, completa Isaiah Berlin, por coisas tão genéricas e abstratas como um partido, uma classe, uma igreja, uma nação, o progresso. É a maior vergonha da espécie.

 

29 de novembro de 2005. Nada mais prazeroso que assistir ao espetáculo do reino animal. Mas sem a pretensão de fazer parte do elenco.

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